Clima

O Mundo acaba de se reunir mais uma vez para dizer que está preocupado com o clima, o mesmo que aquecimento global ou efeito estufa. Um problemão alimentado pelo viver humano que vai nos cozinhando em fogo lento.  Pelos propósitos dos chefes do mundo fora Trump poderíamos achar que o futuro do planeta, tudo somado, nunca esteve em tão boas mãos. Mas seria ignorar que terra e céu, brigados há tempo, estão naquela das mútuas incompatibilidades e assim ficarão por muitas gerações mesmo que o homem de improviso se reinvente. O problema, de fato, é o homem e seu arranjo civilizatório alastrado globo afora, indigesto ao ecossistema. A terra, enquanto casa dos homens, está fazendo tudo o possível  para que o céu, entendido como meio ambiente, não mais consiga suportá-la, ou, ao dizer de seus administradores, sustentá-la.

 

É que pouco nos diferenciamos do primeiro representante da nossa espécie que, tomada consciência de si mesmo, sai de seu lugar de origem, vê que a terra não tem fim e decide que o melhor a fazer é fixar pousada e deixar claro  que quanto há ao redor, solo, planta ou bicho será seu e sob seu definitivo domínio ficará, custe o que custar. Conhecemos o custo e a natureza conhece o calote. De alguns milhares que éramos viramos quase 8 bilhões e pensamos do jeito de nosso ancestral, mais sofisticados em regras, produção e consumo e muito mais insensatos em não querer  assumir  que desequilíbrios ambientais e  desigualdades sociais andam intimamente abraçados.

 

A necessária defesa do tipo de bem estar pessoal que nos é imposto atesta que talvez não haja expressão humana mais submissa à contradição do que aquela do ambientalista, sobretudo urbano, do nutricionista ecológico, sobretudo vegetal, do gestor social, sobretudo liberal, de todos nós, em suma, centrados na construção de um modo de vida pouco coerente com as necessidades dos demais organismos e das demais forças  da natureza.

(Nestore – 19.11.17)